quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Muay Thai: bom para o corpo e para a alma

Caroline Zacchi

O Muay Thai é um esporte nacional e original da Tailândia. É uma arte marcial com mais de 2 mil anos de existência, criada pelo povo tailandês como forma de defesa nas suas guerras e para obter uma boa saúde.

Na Tailândia, o Muay Thai também é conhecido como "Luta da Liberdade" ou "Arte dos Livres", pois foi com o Muay Thai que os tailandeses se protegeram dos povos opressores que tentavam conquistar seu território.

Todos os golpes do Muay Thai têm o objetivo de acabar com a luta (knock out). As combinações de golpes são certeiras e raramente acontece uma luta que chegue ao quinto round, pois o nocaute vem antes. Utilizam-se socos parecidos com os do boxe, golpes com as canelas e pés, típicos desta luta, e também com os joelhos e cotovelos.

O Muay Thai vem ganhando cada vez mais praticantes. É uma luta que desenvolve um ótimo condicionamento físico e mental, concentração e autoconfiança. Além disso, o treinamento ajuda as crianças e adolescentes a terem maior poder de concentração nas atividades do cotidiano.

Adriano Gomes Sliuzas, 21 anos, aluno de Muay Thai há três anos, diz que, após começar a treinar o Muay Thai, sentiu muitas mudanças positivas. Conseguiu perder massa gorda e ganhar massa magra, mesmo alimentando-se muito bem após os treinos. “Minha concentração nos estudos melhorou cem por cento, mesmo com a minha rotina mais corrida, pelo fato de eu ter que acordar praticamente de madrugada para treinar, pois os horários de faculdade tomam praticamente o dia todo”, acrescenta Sliuzas.

O Muay Thai é tão popular na Tailândia quanto o futebol no Brasil, isso faz da Tailândia a maior potência do esporte no mundo. Além de criadores do Muay Thai, os tailandeses também são os maiores lutadores do mundo na sua categoria, até 70 kg em média, isso devido aos tailandeses terem uma estrutura física pequena.

Antigamente esse método de luta e autodefesa fazia uso de diversas armas, como espadas, facas, lanças, bastões, escudos, machados, arco e flecha. Frequentemente ocorriam acidentes que causavam graves ferimentos aos praticantes. Para que eles pudessem treinar sem se ferirem, os tailandeses criaram um método de luta sem armas, o precursor do atual boxe tailandês. Assim eles podiam se exercitar e treinar mesmo em tempos de paz e sem o risco de se ferirem. No início, o boxe tailandês era muito parecido com o kung fu chinês.

O antigo boxe tailandês utilizava-se de golpes com as palmas das mãos, ataques com as pontas dos dedos, imobilizações e mãos em garras para segurar o oponente. Com o tempo, ele foi se modificando e transformou-se no estilo de luta que é hoje.
O professor de Muay Thai, Celso Júnior, 29 anos, diz que, além de defesa pessoal, o Muay Thai reduz o estresse, pois há um desconto muito grande de estresse nos treinos. “É interessante deixar claro que o Muay Thai tem uma imagem muito violenta, porém, é uma luta de resistência física, atenção e, acima de tudo, condicionamento físico, podendo ser praticado por homens e mulheres de faixas etárias variadas”, diz Júnior.

Há tempos atrás os promotores começaram a fazer as lutas que distribuíam grandes prêmios e honra aos seus vencedores. Isto emocionava as pessoas tanto quanto os torneios principais que hoje se fazem em Bangkok, nas lutas em estádios. As lutas não eram feitas em ringues como se vê no atual boxe tailandês. Qualquer espaço disponível do tamanho certo era usado: um pátio ou um descampado de aldeia.

As mudanças que o esporte sofreu foram radicais inclusive no uso de equipamentos. Por exemplo, lutadores tailandeses sempre usaram os chutes baixos. Um pontapé ou joelhada nos órgãos genitais, para os lutadores, eram um movimento perfeitamente legal até os anos 1930. Porém, nessa época foi criada uma proteção de árvore, coqueiros ou conchas de mar, que envolviam com pedaços de pano amarrados entre as pernas e ao redor da cintura. Foi daí que surgiu a coquilha.

Em 1930 vieram as mudança mais radicais no esporte. Foi então que se introduziram as regras e regulamentos de hoje. Cordas amarradas aos braços e mãos foram abandonados e luvas passaram a ser utilizadas pelos lutadores. Esta inovação também se deve ao respeito e ao sucesso crescente dos pugilistas tailandeses no boxe internacional.

Juntamente à introdução de luvas, vieram as classes de peso baseadas nas divisões do boxe internacional. Estas e outras inovações, como a introdução de cinco rounds, alteraram substancialmente as técnicas de luta que os pugilistas usavam, causando, assim, o desaparecimento de alguns lutadores importantes da época.

Antes da introdução de classes de peso, um lutador poderia lutar com qualquer adversário de tamanho e peso diferentes. Porém, a introdução das classes de peso ajudou os lutadores a lutarem mais emparelhados e uniformemente, saindo de cada categoria um campeão. A maioria dos lutadores tailandeses pertencem às classes de peso mais baixas. Setenta por cento de todos os lutadores pertencem à mosca e divisões de pesos pequenos. Há médios e meio-pesados, mas eles não são vistos com frequência e as categorias mais pesadas raramente lutam.

Sliuzas ficou sabendo do Muay Thai através de amigos da torcida organizada Fúria Independente, do Guarani Futebol Clube, em Campinas, da qual faz parte há 10 anos.
”Escolhi o Muay Thai porque sempre gostei de ver lutas pela televisão e principalmente pelo fato do Muay Thai, além de fornecer defesa pessoal, oferece também muita saúde para os praticantes”, diz Sliuzas.

Hoje em dia, o Muay Thai é uma luta praticada e reconhecida mundialmente. O Brasil é destaque no exterior, por seus lutadores fortes e técnicos, que disputam campeonatos com os melhores lutadores de todo o mundo.

No Brasil, um dos melhores na atualidade é o tricampeão brasileiro Urbano Shinnhan, mestre na luta, residente em São José dos Campos (SP). Seu método de luta vem ganhando espaço devido à particularidade do treinamento. Ele é o responsavel pelo treinamento de artes marciais da Aeronáutica Brasileira (CTA).

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